Existe uma série de doenças que podem acometer os recém-nascidos e vou destacar algumas, porém o ponto principal seria o controle do plantel para impossibilitar a introdução de patógenos (agentes nocivos á saúde). Para isso precisamos entender que todo o filhote nasce “estéril”, ou seja, sem nenhuma bactéria, fungo ou vírus. A imunidade dele será construída de acordo com os agentes a que será submetido nos seus primeiros dias de vida.
Existem vários patógenos que são encontrados comumente em adultos e que serão transmitidos aos filhotes sem gerar nenhuma doença e que acabam fortalecendo a imunidade dos mesmos, porém outros agentes podem ser extremamente perigosos e até letais para filhotes sem sistema imune desenvolvido. Assim é imprescindível para uma criação ter sucesso que os reprodutores sejam extremamente saudáveis. Para isso recomendo exames periódicos do plantel, não somente antes da época reprodutiva, mas durante o ano todo.
Precisamos realizar EPF (exame parasitológico de fezes) de todos os animais do plantel e medicar somente os positivos, para não desenvolver resistências ás medicações, o que prejudicará o resultado final do tratamento. Outro fator são as matrizes que geram filhotes fracos e que geralmente morrem, é necessário realizar controle através de fichas destes casos e realizar uma investigação criteriosa para determinação da causa mortis. Se for encontrada o agente causal dos óbitos, deve-se considerar a remoção da matriz do plantel.
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A introdução de aves novas no plantel deve ser sempre acompanhada de quarentena adequada e exames de fezes e se houver alguma suspeita até mesmo exames de sangue. A higiene deve ser considerada imprescindível e nunca é demais! Higiene rigorosa de poleiros, comedouros, bebedouros e ninhos pode impedir muitas mortes desnecessárias. Para falar um pouco sobre doenças vou destacar algumas que podem ser as grandes responsáveis pela maioria das mortes neonatais:
- Coccidiose: causada por Eimeria e Isospora, transmitida através de fezes contaminadas. Os adultos podem não apresentar sintomas, mas os filhotes sim. Pode ocorrer mortalidade dos filhotes em crescimento ou ainda na primeira semana de vida. Os sinais observados são perda de peso, diarréia amarelada até preta, penas arrepiadas, filhotes sujos na cloaca. Deve ser realizado exame das fezes dos pais e filhotes para comprovação e posterior tratamento com vermífugos.
- Mycoplasmose: causada por Mycoplasma galisepticum ou Mycoplasma sinovei, transmissão transovariana e oral (no momento da alimentação da mãe para o filhote). Nos adultos ocorre quadro respiratório crônico, com ruídos respiratórios, movimento de cauda associado a respiração ofegante, obstrução das narinas por secreção, artrites crônicas, articulações inchadas, queda de imunidade geral. Morte dos filhotes ainda no ovo, por vezes não conseguem mesmo eclodir o ovo ou nascem muito debilitados e fracos. Diagnóstico difícil, deve ser realizados exames nos filhotes mortos, geralmente PCR. Tratamento a base de tilosina.
- Colibacilose: causada por Escherichia coli. Observa-se nos filhotes na primeira semana de vida um aumento da vesícula biliar (“pinta preta” na lateral direita do abdômen), muitos morrem até os 15 dias, outros ainda no ovo. Podem desenvolver diarréia, infecções nos olhos, dificuldade respiratória, falta de apetite. Deve ser realizado exame bacteriológico e antibiograma das fezes ou cloaca para confirmação e tratar com o antibiótico sensível no exame.
Terminando aqui lembro de um antigo professor que dizia que reprodução é uma função de luxo, ou seja, somente um plantel saudável com reprodutores saudáveis pode gerar filhotes saudáveis!
Autora: Professora Alessandra Roll, DVM