Hepatopatia é um termo patofisiológico determinado por qualquer condição que danifica o fígado e impede seu bom funcionamento. Muitas vezes associada à obesidade e à divergências nutricionais, pode ter vários níveis de afecção, assim como várias diferentes causas.
A obesidade é um distúrbio relativamente comum em aves cativas, principalmente em psitacídeos, onde uma ave pode ser considerada obesa quando apresenta peso superior a 15% do peso ideal para a espécie. Deficiências ou desequilíbrios nutricionais, os quais resultam em doenças primarias ou secundarias, são frequentemente diagnosticados em aves, pois elas possuem uma variedade de necessidades nutricionais especificas, variando entre as diversas espécies existentes. Em mamíferos, a lipogênese ocorre principalmente em tecido adiposo, enquanto nas aves ela ocorre predominantemente no fígado – predispondo as aves com alta ingestão de gordura na dieta a desenvolverem problemas hepáticos.
A hepatopatia em aves pode ocorrer por diversos fatores, dentre eles a ingestão exagerada de gordura, baixa ingestão de ácido linolênico, excesso de vitamina A, insuficiência de vitamina A, deficiência de riboflavina (B2), deficiência de colina (precursor de acetilcolina) ou mesmo níveis elevados de ferro. Problemas de saúde adivinhos de deficiências e desequilíbrios associados a dietas exclusivas de sementes são comuns, e tais dietas devem ser evitadas. Sementes oleosas, especialmente as de girassol e cártamo, contem níveis excessivos de gordura e podem ser deficientes em vitamina A, niacina, biotina, colina, iodo, ferro, cobre, manganês, selênio, sódio, cálcio, zinco e alguns aminoácidos.
Morte súbita em pacientes aviários pode ser causada por infiltrações gordurosas no fígado (falta de exercício com dietas ricas em energia, dietas ricas em gordura, deficiências de vitaminas B); ascite – uma doença de armazenamento de ferro e aterosclerose – níveis elevados de gordura e colesterol séricos. Hepatopatias podem, também, ser precursores para distúrbios comportamentais, tal como a polifagia – o que pode causar impactação de proventrículo ou ventrículo.
O exame físico geral da ave, com avaliação minuciosa das penas, a qualidade do óleo das mesmas, tecido cutâneo e queratinoso podem nos informar sobre um possível problema hepático. Exames radiográficos podem ser extremamente úteis na avaliação da silhueta cardio-hepática, verificando a existência de uma hepatomegalia ou degeneração hepática. O uso de ultrassonografia é inviável, por causa da incompatibilidade anatômica das aves (sacos aéreos) com a física envolvida no funcionamento do aparelho ultrassonográfico. Avaliações bioquímicas através de análises sanguíneas podem ser proveitosas, se o clínico souber qual elemento deve ser avaliado.
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Em geral, o aumento da atividade de AST indica dano hepático ou muscular em níveis acima de 275 UI/l, enquanto níveis acima de 800 UI/l são altamente sugestivos de dano hepático grave. A atividade de AST é considerada um marcador sensível, mas não especifico de distúrbio hepatocelular na maioria das aves, sendo de grande auxílio ao clinico. A atividade de ALT tem valor limitado como teste para avaliação de distúrbios hepatocelulares em aves. Em muitos casos, pacientes com dano hepático grave apresentam concentrações normais de ALT, refletindo o baixo grau de atividade enzimática nos hepatócitos em das aves. A GLDH está presente nas mitocôndrias dos hepatócitos, e é considerada o marcador mais especifico e sensível de distúrbios hepáticos em aves, embora tenham meia vida curta em plasma.
Além das causas nutricionais, várias doenças podem levar uma ave a apresentar um quadro de hepatomegalia decorrente, tais como a circovirose, infecções bacterianas e algumas endoparasitoses, por exemplo.
Autora: Amarílis Bonami Silva, estudante de Medicina Veterinária