A infecção clínica é relativamente comum em cobaias, cães e suínos. Ratos, coelhos, gatos, pássaros e primatas também podem desenvolver a infecção clínica, mas estes animais normalmente se apresentam portadores.
A Bordetella bronchiseptica é um bacilo ou cocobacilo pequeno, móvel e Gram (-). A transmissão se dá por contato direto com animais clinicamente afetados, portadores, fômites e aerossóis respiratórios. Existe uma alta prevalência de soroposivitividade em coelhos de laboratório. Muitos surtos desta infecção são precipitados por fatores estressantes tais como desequilíbrios nutricionais, alterações de temperatura, superpopulação, alterações no alimento, procedimentos experimentais e dietas impróprias, especialmente aquelas deficientes em vitamina C, no caso da cobaia.
Os sinais mais frequentes em cobaias estão geralmente associados à pneumonia e variam desde nenhuma manifestação clínica até a letargia, anorexia, inapetência, secreções nasais ou oculares, dispnéia e morte. O período de incubação é de 5 a 7 dias. Alta mortalidade, abortos e natimortos são notados nas cobaias afetadas durante as epizootias, as quais ocorrem quando o agente é introduzido em uma colônia suscetível ou quando a capacidade imune dos animais situa-se abaixo de um nível efetivo.
Coelhos frequentemente abrigam o microrganismo nas passagens respiratórias superiores, mas a consequência usual disso, nos casos de lesões ciliares ou epiteliais, é a predisposição a outras infecções particularmente pasteurelose.
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O tratamento nos casos de animais de estimação é realizado por um médico veterinário com experiência em animais exóticos ou silvestres.
A prevenção é o melhor caminho como sempre. Manejo adequado, instalações limpas e separação dos animais portadores são essenciais.
Apesar de sua importância em saúde pública ser mínima, o microrganismo pode ser recuperado da nasofaringe humana podendo causar tosse convulsiva e broncopneumonia em pessoas idosas.
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Autor: Prof. Alexandre Pessoa, DVM, Me.

