São bactérias do gênero Mycoplasma spp. pertencem à família Mycoplasmataceae, e classe Mollicutes. Organismos de vida livre, pequenos e não possuem parede celular, fazem parte da microbiota existente nas membranas mucosa e podem se associar as hemácias levando ao desenvolvimento de um quadro de anemia hemolítica durante uma imunossupressão.

Há poucos relatos sobre a micoplasmose canina no Brasil. Os cães podem ser acometidos por duas espécies: Mycoplasma haemocanis, antes denominado Haemobartonela canis e Candidatus Mycoplasma haemotoparvum, ambas causam infecções oportunistas em tecidos com processo inflamatório decorrente de outras causas. Além de anemia, quadros de doença urogenital e respiratória também foram descritos. Num estudo de caso controle retrospectivo M. canis foi encontrado em cultura de PCR em tecido nervoso em animais portadores de Meningoencefalite Granulomatosa Necrotizante, os sinais clínicos apresentados eram convulsões, dificuldades proprioceptivas, andar em círculos e cegueira.  (Michaels, Dina L. et al, 2016).

O hemoparasita pode ser transmitido por picada de vetores hematófagos, como pulgas e carrapatos, assim como pela via transplacentária, transfusão sanguínea ou uso indevido de material hospitalar contaminado. Outra forma de transmissão seria através de conflitos por fêmeas, alimento e território entre animais infectados pelo agente etiológico da micoplasmose.

Cães imunocompentes não desenvolvem sintomatologia da doença, é necessário uma imunossupressão para que sinais clínicos sejam evidentes. Os fatores que levam a uma imunossupressão podem ser devido administração de medicação imunossupressora, animais esplenectomizados ou com esplenopatias, infecções virais, bacterianas ou por outros hemoparasitas concomitantemente.

Em sua forma aguda, os sintomas aparecem entre 1 a 2 semanas após a infecção ou ativação, onde ocorre sinais de febre, perda de peso, anorexia, letargia, palidez de membranas mucosas, além dos achados laboratoriais como anemia grave, leucopenia ou leucocitose, trombocitopenia, que pode estar associado a problemas na coagulação. Casos mais severos a anemia pode ser fatal, outros achados laboratoriais como reticulose, policromasia, hiperbilirrubenemia e bilirrubina, esferocitose e autoaglutinação podem ser observados.

O diagnóstico da micoplasmose canina pode ser feito a partir de esfregaços sanguíneos, testes moleculares como a reação em cadeia da polimerase de sangue total. Diagnóstico terapêutico pode ser avaliado através da resposta do animal ao tratamento com drogas de eleição para combater o Mycoplasma spp.

O tratamento é realizado através da administração de tetraciclinas ou fluoroquinolonas. A doxiciclina por via oral, durante, em média, 14 a 28 dias, apresenta bons resultados em pacientes imunocompetentes ou sem doença grave, além de apresentar ação anti-inflamatória.

Em casos mais graves ou com resistência às tetraciclinas, recomenda-se o uso de enrofloxacina ou azitromicina para o tratamento dos animais (NELSON & COUTO,2010).

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AUTORA: Dra. Rosalina Saloá Bertolini, Médica Veterinária

REFERÊNCIAS

Michaels, Dina L. et al. “Cellular Microbiology of Mycoplasma Canis.” Ed. C. R. Roy. Infection and Immunity 84.6 (2016): 1785–1795. PMC. Web. 19 Nov. 2017.

Enciclopedia Biosfera, Centro Científico Conhecer – Goiânia, v.10, n.19; p. 2014

González, Félix H. Diaz Patologia clínica veterinária: uma abordagem sobre casos clínicos / Félix H. Diaz González, Stella de Faria Valle, Sérgio Ceroni da Silva. – Porto Alegre : Edição dos Autores, 2014.

Nelson, R.W.; Couto, C.G. Medicina interna de pequenos animais. 4ªedição, Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.