Nefroblastoma ou tumor de Wilms é uma neoplasia embrionária maligna trifásica que é derivada de células nefrogênicas blastemais, epiteliais e mesenquimais (DOLAN e KHOURY JD). A patogenia do nefroblastoma é complexa e tem sido relacionada com alterações de vários loci de genoma, incluindo WT1, WT2, FWT1 e FWT2 (KHOURY). Tumores renais malignos são pouco relatados em animais, porém são comuns na prática de oncologia pediátrica humana. É o tumor mais relatado em crianças, chegando a 85 % dos casos e tem sido diagnosticado cada vez com maior freqüência nos últimos 30 anos (RADHIKA E PERLMAN). Em estudo realizado no Instituto de Patologia das Forças Armadas, de 48 neoplasias renais primárias, somente duas eram nefroblastomas e foram encontradas em cães menores de 5 anos (BASKIN).

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Outro relato encontrado é de um Pastor de Shetland de um ano de idade que se apresentava com sinais neurológicos de apresentação aguda. Foi localizada uma grande massa abdominal e em exame post morten diagnosticou-se nefroblastoma renal, medular e de espinha extradural (GASSER). Outros casos isolados foram relatados em outras espécies animais, tais como: macaco caranguejeiro (Macaca fascicularis) (BENNET), rato Sprague-Dawley (ILDA), sapo Xenopus laevis (MEYER-ROCHOW) e feneco (Fenecus zerda).
Os casos clínicos em estudo são os seguintes:

Caso 1:

Periquito australiano, fêmea, cerca de 2 anos de idade. Foi atendido na Clínica Veterinária Toca dos Bichos em 2004, apresentava histórico de respiração ofegante, apatia e diarréia. Ao exame clínico apresentava aumento de volume endurecido na região abdominal. Proprietário optou por eutanásia tendo em vista o prognóstico da provável tumoração e o estado avançado de apatia da ave. Na necropsia foi observado massa arredondada endurecida e de coloração branca, de cerca de 6 x 3 cm na região correspondente ao rim direito, tal massa ocupava praticamente toda a cavidade chegando a pressionar as demais vísceras que estavam macroscopicamente normais. O material foi coletado e enviado para análise histopatológica.

Caso 2:

Periquito australiano, macho, 10 anos de idade. Foi atendido na clinica veterinária Bicho de Casa (POA/RS) em 2006, apresentando um histórico de apatia súbita, permanência no fundo da gaiola, normofagia, normodipsia e fezes normais. Não apresentava histórico de traumatimos ou quedas. Ao exame clinico foram observados paralisia dos membros posteriores com presença de dor profunda, condição corporal mediana, apatia moderada. Foi instituída terapêutica com dexametasona 1 mg/kg SID/5dd por via intramuscular, oxitetraciclina 50 mg/kg BID/7dd por via oral, tintura de arnica 1gt SID/5dd por via oral e suplementos vitamínicos por via oral. A gaiola foi reorganizada de modo que o animal se locomovesse melhor. Durante os primeiros seis dias de tratamento, o animal apresentou normofagia, normodipsia, fezes normais, diminuição da condição corporal progressiva e apoiava-se basicamante nos poleiros com a musculatura peitoral. Não apresentou nenhuma resposta à terapêutica, vindo a óbito no sexto dia. Na necropsia foi observado uma massa amorfa macia de coloração branco-acinzentada na região renal de 2 x 1 cm, que envolvia as vértebras locais, demais órgãos apresentavam-se normais. Essa massa foi enviada para análise histopatológica. Na histopatologia de ambos os tumores observou-se massa tumoral constituída por proliferação de células epiteliais e tecido conjuntivo, semelhante ao rim embrionário (nefroma embrionário). O objetivo deste trabalho é trazer um relato de nefroblastoma em duas aves de companhia, sendo que uma delas possuía metástase em medula espinhal. Acredita-se que este seja o primeiro relato de caso de nefroblastoma em periquito australiano (Melopsittacus undulatus).

Autores: Roll, Alessandra; Soave, Semíramis; Kunzler, Letícia.