A PIF foi descrita pela primeira vez na década de 60, pode afetar gatos de todas as idades, porém, o mais comum são animais jovens até 2 anos e idosos com mais de 10 anos. Sendo os gatos machos mais acometidos. O grupo de risco são gatos que vivem em aglomerações, como criadouros e abrigos, também aqueles que tem outras doenças concomitantes como a FIV e a FELV, animais desnutridos ou imunossuprimidos.
Raças consideradas pré dispostas por alguns autores: Persa (predisposto a tudo, rs), Bengal, Birmanes, Himalaio.

A PIF é causada pelo Coronavirus felino (COVF) este é um alfacorona virus grande, esferico, com envoltório e filamento unico de RNA, pertence a família Coronaviridae.
Os coronas virus apresentam o maior genoma viral de RNA conhecido até o momento.
Apesar de serem comuns, só de 1 – 3% dos gatos infectados desenvolvem a PIF. Sendo que de 5 – 10% dos gatos são resistentes, 70% infectados transitóriamente, 13% infecção persistente.
Tanto o CORV tipo I (Âmbito mundial, mutação do coronavirus enterico felino), quanto o CORV tipo II (Recombinação do tipo I com Coronavirus canino) podem causar PIF, gatos podem se infectar simutaneamente com os dois tipos.

Contaminações ocorrem por contato oral com fezes e saliva de gatos infectados, principalmente na hora do ”banho”.

Vírus se replica em células epiteliais do trato respiratório superior e do intestino delgado,  orofaringe, localizam-se em paredes venosas e áreas perivasculares.

Suas duas formas básicas:
Efusiva (úmida) – Caracterizada por ascite, efusão torácica ou ambas.
Neste tipo muitos vasos são acometidos, por isso a exsudação de líquido e proteínas para as cavidades.
Neste caso os sinais clínicos costumam ser:
Ascite, apatia, perda de peso, dispneia, taquipneia, aumento de escroto, bulhas cardíacas abafadas, palidez ou icterícia de muscosas.

Não efusiva (Seca) – Apresentação clínica depende de quais órgãos desenvolverem piogranulomas em decorrencia da PIF.
É considerada a forma mais crônica da doença, sinais clínicos ocorrem depois de semanas até muitos meses pós infecção inicial, geralmente desencadeada pós estresse.
SC: Pirexia discreta, perda de peso, diminuição de apetite, lesões oculares, aumento de linfonodos mesentericos na palpação, pode haver dispneia se o pulmão estiver acometido.
Sinais neurológicos também podem ocorrer, como alteração do estado mental, ataxia seguida por nistagmo e convulsões. Entre outros muitos sintomas que podem ocorrer conforme o local acometido, incluindo meningite, lesão piogranulosa em coluna vetebral e nervos perifericos, intestino (ocasionando constipação, diarreia cronica e vômitos). E em alguns casos, lesões cutâneas.

O diagnóstico definitivo da PIF é somente no pós mortem, com achados histopatologicos de flebite ou piogranulomas perivasculares.
Podem ser feitos varios testes laboratoriais, como o de rivalta e pcr, mas nenhum pode ser verdadeiramente conculsivo.
Por tanto o diagnóstico baseia-se na anamnese, SC, exclusão de outras doenças.

50% dos gatos com efusão tem PIF, o líquido costuma ser limpido, cor palha, viscoso e forma espuma quando movimentado.
Gatos com a doença costumam apresentar linfopenia e trombocitopenia, e na não efusiva, anemia arregenerativa, associada a inflamação crônica.
Testes de sorologia não caracterizam PIF, desde que associados com os sinais clínicos, devido a falso positivo.

Tratamento:
Se o gato for soropositivo (lembrando que pode ser um falso positivo), usar imunoestimulantes, evitar estresse, evitar uso de glicocorticoides.

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Não dispõe de tratamento que pare a eliminação do vírus.
In vitro, a ribavirina se mostrou eficaz, mas não é usal em vivos e nem em gatos.
Uso de probioticos, uso de interferona humana.
Interferon A2 – 30 ui/gato
7 dias em semanas alternadas, como imuno estimulante.

Fazer a punção, retirando a efusão para dar alivio a animal. Continuar com tratamento paliativo, uso de atb em infecções secundárias, transfusão sanguínea em anemias arregenerativas, boa nutrição do paciente é fundamental, se for preciso fazer uso de sondas.

Medidas de higiene são fundamentais, introdução de novos gatos em ambiente contaminado somente após 2 meses.
Não há vacinação no Brasil.

AUTORA: Júlia Fidêncio Maestrello, estudante de Medicina Veterinária

FONTES:

Greene – Doenças Infecciosas em cães e gatos, quarta edição. Editora Rocca, 2015. Seção 1. Capítulo 10, página 95.

ROSA, et al. Peritonite Infecciosa Felina. Revista científica eletrônica de Medicina veterinária, janeiro de 2009.

SOUZA, et al. Peritonite Infecciosa Felina – Revisão Bibliográfica.

European Advisory Board on Cat Diseases – Ficha Informativa sobre Peritonite Infecciosa Felina, 2009.

COSTA. Peritonite Infecciosa Felina, 2009.

DUNN, J. K. Tratado de Medicina de Pequenos Animais. São Paulo, Rocca, 2001.