Os répteis, por serem ectotérmicos, tem sua temperatura dependente do ambiente e em sua maioria possui pele recoberta de escamas. São comumente encontrados em ambientes mais quentes, mas podem ocorrer em todo território nacional. Em levantamento da Sociedade Brasileira de Herpetologia em 2005, foi apurado 614 espécies, correspondendo a 8% da população mundial de répteis. Desde lagartos, cobras e tartarugas, os répteis são em sua grande parte predadores com ampla importância na cadeia alimentar. Com relevância para o ecossistema e economia, pelo consumo e produção de medicamentos derivados de venenos. (Icmbio, 2015)
Quando pets, os répteis precisam de cuidados com relação à manutenção de temperatura. Além da temperatura, deve-se ter em conta também a nutrição adequada, fornecimento de radiação ultravioleta e complementação de cálcio. Qualquer fator que altere a necessidade fisiológica de cada espécie pode causar estresse, consequentemente a queda da imunidade e a predisposição a doenças oportunista, assim como alteração na digestão e velocidade cardíaca. Um manejo adequado pode evitar muitas patologias, como a pneumonia. (JEPSON, 2009; DUTRA, 2015
Como sinal clínico mais comum em doenças de répteis tem-se a anorexia, perda de peso e apatia. Para um diagnóstico definitivo deve-se realizar exames, como a radiografia, que pode mostrar evolução da doenças. Para excluir qualquer doença do diagnóstico diferencial, o coproparasitológico é importante. Exames sanguíneos podem ter queda de proteína total, pela anorexia, má absorção e perda de proteína. Além da diminuição de ácido uréico. Lavado traqueobrônquico poderia diferenciar o tipo de pneumonia.(SAMOUR, 2012)
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A pneumonia pode ser causada por diversas etiologias, como: Trematódeos, Coccidia, Aspergillus sp., Candida sp., herpesvirus, iridovirus, Mycobacterium, Chlamydophila e Mycoplasma. Podendo ter como causa base o manejo inadequado, inalação de água ou doenças secundárias, como Hipovitaminose A, parasitoses e vírus. (SAMOUR, 2014) Brótons (2001) também cita como agentes pseudomonas, Serratia marcescens, Alcaligenes spp.e Enterococcus e afirma que a maioria das pneumonias são causados por bactérias Gram negativas.
Segundo autores, para chelonoidis, doenças em trato respiratório inferior é desastroso, pois são inaptos a tossir e por conseguinte não conseguem eliminar corpos estranhos e secreções. Em experimento, foi relatado que Trachemys scripta elegans conseguem sobreviver com baixa ou nenhuma disponibilidade de oxigênio por até 27 horas.
(MCARTHUR, 2004)
Frye define a radiografia com projeção crânio-caudal como a mais eficiente, devendo ser alta o suficiente para mostrar e possibilitar a comparação dos dois pulmões. Utilizando também das projeções dorso ventral e lateral para delimitar as lesões (FRYE, 2007; JEPSON, 2004, MURRAY, 2006). Jepson (2004) afirma que a compressão de campos pulmonares pode indicar presença de extrapulmonar, como hepatomegalia ou mesmo obesidade.
McArthur (2004) afirma que lavado traqueal pode ser realizada facilmente após a sedação do animal, com o introdução de cateter urinário através da glote e então injetando solução salina. Dutra (2014) estabelece que animal intubado com material estéril, deve reduzir risco de contaminação. Outro método eficaz seria a biópsia do tecido pulmonar, por procedimento cirúrgico, como celiotomia por osteotomia.
O tratamento deve ser definido conforme o resultado dos exames e específicos para causa da pneumonia, doenças concomitantes e com a correção de manejo. (JEPSON, 2009) Na maioria dos casos de doença em trato respiratório inferior, o tratamento tem que ser agressivo, mas também dentro dos limites do paciente, devendo ser específico para o patógenos, com antibióticos sistêmicos, nebulização, fluidoterapia. Como répteis adoecidos estão normalmente anoréxicos, o ideal é realizar a alimentação forçada. Raramente é recomendado realizar oxigenoterapia, pois dificulta a eliminação de debris, pelo aumento da tensão, mas caso seja necessário o nível de suplementação de ver de 30 a 40%, sempre umidificado. O final do tratamento deve ser avaliado juntamente com exames complementares e sinais de melhora do animal. (MURRAY, 2006)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRÓTONS, N. J; MARTÍNEZ-SILVESTRE,A. Enfermedades Infecciosas.p42. In Canis et Felis. Patología de Reptiles. Publicacion Cientifico Tecnica Para el Professional de la Clinica de Pequenos Animales. nº49, Febrero, 2001.
DUTRA, G.H.P. Testudines. Capítulo 16. in CUBAS, Z. S.; SILVA, J. C. R.; CATÃO-DIAS, J. L. Tratado de Animais Selvagens-Medicina Veterinária. Volume 1. Segunda edição. ROCA, São Paulo, 2014.
FRYE, et al, Radiologia e imagem. in GRUPO FOWLER: Avanços na Medicina de Animais Selvagens. Medicina de répteis. Coleção de artigos da Associação Paranaense de Animais Selvagens. Curitiba. 2007.
Icmbio. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção Disponível em: http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/biodiversidade/fauna-brasileira/livro-vermelho/volumeII/Repteis.pdf. 2015.
JEPSON, L. Clínica de Animais Exóticos. Capítulo 9.. Elsevier- Saunders. 2009
MURRAY, M. J. Pneumonia and Normal Respratory Function. in MADER, D. R. Reptile Medicine and Surgery. W. B. Saunders Co.; Philadelphia, USA. 1996, 2006.
SAMOUR, J.(Ed.) Exotic Animal Medicine. Review and test. p344. Elsevier saunders. 2012.
MCARTHUR, S; WILKINSON, R.; MEYER, J. Medicine and Surgery of Tortoises and Turtles. Blackwell Publishing. 2004.
Autora: Dra. Bruna Domingos – DVM